O rural galego vese ben desde Madrid
Você tem estudado -no seu livro A Ulfe e em outros artigos- a desapariçom do que chama "civilizaçom labrega" galega. Comecemos, pois, falando sobre isto.
1) O progresso desta destruiçom do campesinato galego ainda se pode seguir hoje. Desapariçom das escolas rurais, liquidaçom da economia camponesa, etc… Poderia-se dizer que neste país se deu um etnocídio?
Nom sei se se pode falar em termos estritos de etnocidio, nom sou mui partidária do radicalismo verbal. Mas em todo caso, seguindo a Karl Polanyi n´A grande transformaçom, si se pode dizer que quando entrou no mundo rural a lógica capitalista convertendo as terras e os homens e mulheres em mercadorias –primeiro com os planos de desenvolvimento e logo com a chamada modernizaçom- a civilizaçom rural sofreu um embate brutal, o que supujo um vazio cultural, e umha falta de referentes, no que nengum grupo social pode sobreviver com dignidade.
Sem dúvida nesta mudança jogárom distintos processos, entre eles a política da ditadura franquista, mas também as política da Xunta quando estava no governo o PP que favoreceu os interesses dos grandes grupos económicos, conservadores e liberais, e que expressava sem vergonha que sobrabam labregos e labregas no rural, dando assim provas da sua escassa valorizaçom dos interesses gerais e do funcionamento democrático.
Esta lógica segue a estar, ao meu juízo, activa hoje em boa medida. Quando me chamam para fazer algum encontro topo com mui poucos, mesmo entre os universitários, que dêm mostra de sensibilidade fronte o rural, e que se dêm conta da sua valia e da sua imperiosa necessidade nom só cara a soberania alimentar, senom também o cuidado da terra e da alimentaçom. Tenho a sensaçom de que tanto para uns como para os outros, independentemente da sua filiaçom política, o melhor é que desapareçam os habitantes do mundo rural, nom se sabe bem para fazer quê. De facto, ainda que em algumhas vilas da costa no verao há mercados locais onde as mulheres vendem frutos da horta que trabalham além de geleias, vinho, aguardente, etc., no interior nem as câmaras municipais, nem a Xunta apoiam com força os mercados locais.
O triunfo do chamado “mercado global” nom deixa lugar aos mercados locais seculares. E o que é pior, o que passou com a aguardente, está a passar também com a matança: está a pôr todos os impedimentos que podem para que desapareça, com a coarctada da higiene e da sanidade, como senom se pudesse controlar o bom estado dos porcos pondo os especialistas pertinentes ao serviço da comunidade rural. Mas polo geral estes seguem a ser mui senhoritos. E os governantes seguem a primar os interesses das grandes superfícies onde abunda a comida basura. A extensom agrária pola sua banda também contribuiu à desapariçom da extraordinária riqueza genética das espécies que tínhamos metendo árvores frutais que supostamente eram mais rentáveis –de novo o critério economicistas- e que passado um tempo deixam de dar frutos. E todo isto reenvia-nos ao problema dos transgénicos…, no que nom vou entrar.
Os distintos agentes sociais que tenhem contacto co rural nom parecem estar dispostos a escuitá-los, a ter em conta os seus complexos e ricos saberes, a fazê-los partícipes nas decisons que atingem à sua vida.
Entrevista á socióloga Julia Varela en galizalivre.org
